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Direito das Mulheres
Não por acaso, relatórios fato, as reformas precisam ser Se quisermos um futuro
internacionais apontam que inclusivas, construídas com diferente, precisamos de uma
o ritmo de redução dessa escuta ativa das mulheres agenda que coloque a equidade
desigualdade é extremamente e voltadas à promoção da de gênero no centro. Isso passa
lento e que, mantida a atual equidade. Modernizar não pode por revisar legislações, investir
velocidade, a paridade plena ser sinônimo de precarizar. em políticas públicas, fortalecer
entre homens e mulheres pode Olhando para trás, é legítimo mecanismos de fiscalização e
demorar mais de um século questionar se as reformas recentes valorizar a voz das mulheres nos
para ser alcançada. contribuíram para melhorar espaços de decisão. Não se trata
Isso não significa que o a condição das mulheres apenas de justiça social, mas
país não precise rever suas trabalhadoras brasileiras. Os dados também de desenvolvimento
normas trabalhistas. O mundo mostram que não. A desigualdade econômico. Países que
do trabalho se transforma em salarial persiste, a informalidade reduzem desigualdades de
ritmo acelerado e exige novas continua alta e a sobrecarga da gênero registram ganhos de
soluções. A digitalização e a dupla jornada não foi aliviada. produtividade e inovação. Uma
economia de plataformas criam Em 2023, as mulheres receberam reforma trabalhista que ignore
desafios inéditos que pedem em média pouco mais de 79 por essa realidade estará sempre
respostas jurídicas atualizadas. cento do rendimento dos homens, incompleta e fadada a reforçar
Mas, se quisermos avançar de segundo a PNAD Contínua. injustiças históricas.
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