Page 15 - O Elo - Setembro de 2025
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Outro Prisma
Qual foi o maior aprendizado que trouxe de
Santiago de Compostela?
Há vida fora de nossa bolha urbana e social. Há
conexões humanas para além de nossas culturas. Há
potência adormecida dentro de cada um, e ainda
podemos ir além do que já fizemos.
Como foi o momento de sua chegada a Santiago?
Na praça diante da Catedral de Santiago de
Compostela vive-se um jorrar de emoções. Transbordam
pelos olhos muito do que se colecionou de sensações.
Não é chegar a um lugar, é encontrar a si mesmo. Não
é concluir um percurso, é dar-se conta de um processo.
Não é superar um desafio, é ter paz consigo e alegrar-se
com quem se é.
E o retorno à vida cotidiana depois de 40 dias de
imersão?
Não tive expectativa de mudança radical, mas as
memórias e registros seguem instando a algo novo
acontecer.
O que mudou na sua forma de viver e de se
relacionar com o mundo depois dessa experiência?
A vivência minimalista, com poucas e suficientes
peças de roupa, faz pensar sobre os excessos de
consumo. Assimilei o desafio de aprender que menos
é mais.
Alguma lembrança, foto ou objeto que simbolize
essa travessia? Fotos: Arquivo Pessoal
A vieira, histórico símbolo da peregrinação a Santiago
de Compostela, permanece exposta em casa. Como se
já não bastasse portá-la como sobrenome, cuja origem
e significado provêm da história do próprio Caminho.
Pretende repetir o Caminho ou fazer outro tipo de
peregrinação?
Estou incluindo em meus prazeres a prática de
caminhar em trilhas, para o contato simples com a
natureza. Em localidades próximas a São Paulo, iniciativas
menos complexas, desafios triviais e de conexão com a
riqueza da vida.
Que conselho deixaria para quem está pensando
em fazer o mesmo?
Em qualquer momento da vida, sempre cabe
escolher um desafio que lhe seja adequado. É sempre
oportuno reciclar propósitos e propor-se a um novo
projeto. É bom e faz bem ser amigo do tempo e seguir
envelhecendo com alegria.
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