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Outro Prisma
Fotos: Arquivo Pessoal
Entre janeiro de 2017 e outubro de 2020 (quarenta e
seis meses), tornei-me avô de quatro netas e um neto:
Beatriz, Isabela, Gabriela, Alice e Gustavo. Em maio de
2021, ganhei sobrevida, com a saúde plenamente
restabelecida após crítica condição de vida em
risco causadas pela Covid. A peregrinação foi um
transbordamento natural de intensas experiências e
profundas transformações dos anos anteriores. Foi uma
solenidade de celebração da existência, de gratidão
pela vida, de compromisso com a saúde e de plena
disponibilidade para seguir vivendo próximo dos netos.
Como foi o processo de preparo físico e mental
antes da viagem?
Elaborei muito durante cerca de vinte meses. Passei
a acompanhar vários canais sobre peregrinação. Aderi
a um serviço de mentoria, que foi muito útil. Pesquisei
profunda e detalhadamente cada aspecto: a história
do Caminho de Santiago no contexto da Espanha e da
Europa; a cultura, a economia e a sociedade de cada
região; a variação climática durante o ano; a topografia; a
adequação de calçado, vestuário, mochila e apetrechos
necessários. Cuidei do preparo físico, com “check-
up” de rotina, supervisão de nutrólogo e ortopedista,
fortalecimento e treinamento de caminhada. Também
optei por reservar previamente todas as hospedagens
para os quarenta dias de andança.
Subir os Pirineus é considerado um dos trechos
mais desa adores. Como foi esse primeiro dia, de
1250 metros de elevação em 20 quilômetros?
Assumi que andar 800 km em 40 dias já seria façanha
suficiente aos 65 anos, e fui cauteloso na execução,
minimizando possibilidades de perrengues. Iniciei
gradualmente, para adaptação física e mental. Os 24 km
iniciais, que consistem na travessia dos Pirineus, fronteira
França-Espanha, fiz em duas etapas, enviando a mochila
(10 kg) por serviço de transporte de uma hospedagem
a outra.
Comecei com 7,8 km, subindo 610 m, e me hospedei
no Refúgio Orisson. No segundo dia, percorri mais 9 km,
com 640 m de elevação, e os finais 7,2 km em descenso
de 550 m, hospedando-me no Hospital de Peregrinos
da Real Colegiata, em Roncesvalles. Tive apenas alguma
dor no joelho na primeira noite, que se resolveu com
gelo. A estratégia mostrou-se adequada.
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