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Seu Direito







                                                                                                   Foto: Banco de Imagem
           Mais do que uma discussão
        técnica, o tema traz à tona a
        questão da justiça fiscal. Em
        um  país com uma das maiores
        desigualdades de renda do
        mundo, o sistema de impostos
        pode ser parte do problema ou
        parte da solução. Hoje, ele pesa
        mais sobre o  consumo  do que
        sobre o lucro e o patrimônio e
        isso penaliza os mais pobres.
        A reforma da renda, se bem
        desenhada, pode corrigir parte
        desse desequilíbrio e criar um
        modelo mais justo e sustentável.
           Os exemplos internacionais
        ajudam  a  entender  o  caminho.
        Países como Chile, México
        e Portugal fizeram reformas
        graduais, com previsibilidade e
        diálogo constante com o setor
        produtivo. Essa talvez seja a
        principal lição: não se faz uma
        boa  reforma  tributária  de  forma
        apressada. Cada ajuste precisa
        de tempo para amadurecer e ser
        compreendido pelo mercado e
        pela sociedade.
           O setor empresarial acompanha
        o debate com atenção. Há receio
        de que o redesenho da tributação
        aumente custos e reduza margens
        num  cenário  já  pressionado  por
        juros altos e incertezas econômicas.
        Por outro lado, economistas
        defendem que a reforma é
        essencial para dar sustentabilidade
        ao sistema e abrir espaço  para
        políticas públicas mais eficientes.  Se  a reforma do consumo  crescer com equilíbrio precisa de

        O equilíbrio entre justiça social e  representou uma mudança de  um sistema tributário que seja
        estímulo ao investimento será o  estrutura, a da renda representa  simples, previsível e, acima de
        ponto central dessa equação.        uma mudança de lógica. É sobre  tudo, justo. Essa é a verdadeira
           No fim, a reforma da renda não  quem paga, quanto paga e por  base de uma reforma duradoura.

        é apenas uma discussão sobre  quê. E isso exige técnica, diálogo          Mas fica aqui a oportunidade

        arrecadação. É uma oportunidade  e maturidade política.                 de eventuais interessados que
        de redefinir o papel do Estado e        O sucesso dessa etapa não  possuam dúvidas fazerem contato

        de reconstruir a confiança entre  virá da pressa, mas da qualidade  comigo para esclarecê-las no

        governo, empresas e sociedade.  do debate. Um país que quer  e-mail: drbruno@sinpait.org.br



                                                                               O ELO out-nov|2025 • www.sinpait.org.br   09
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