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Seu Direito







                       O desafio de tornar o imposto de


                                          renda mais justo







           Depois de mais de trinta anos  a  alíquota  do  imposto  sobre
        discutindo como simplificar os  empresas pode gerar bitributação
        tributos sobre o consumo, o  e desestimular o investimento                                            Foto: divulgação
        país se prepara para uma nova  produtivo. O desafio está em
        etapa da reforma tributária.  encontrar um meio-termo que
        Agora a tributação sobre a renda  preserve a competitividade e
        entrou em pauta. O assunto  corrija distorções.
        pode parecer distante, mas tem         Outro tema importante é o
        impacto direto sobre empresas,  fim ou a revisão dos juros sobre
        investidores  e  trabalhadores.  capital próprio (JCP), criado para
        Se a primeira parte da reforma  evitar  a  dupla  tributação  sobre
        reorganizou os impostos sobre  o  lucro  empresarial.  Ele  permite
        bens e serviços, agora o desafio é  que empresas deduzam parte
        redesenhar a forma como o Brasil  do pagamento aos acionistas
        tributa salários, lucros, aplicações  como despesa, reduzindo o                  Dr. Bruno Cavarge
        financeiras e patrimônio.           imposto devido. Para o governo,              Advogado do SINPAIT
           O governo federal já havia  o modelo perdeu o sentido e
        sinalizado  que  a  reforma  da  virou privilégio. Para o setor
        renda era prioridade e assim o  privado, acabar com o JCP sem  o prazo de recolhimento do
        fez. A ideia central é tornar o  criar alternativa significa elevar a  imposto     sobre    rendimentos.
        sistema mais progressivo, ou  carga tributária e comprometer            A proposta busca simplificar
        seja, cobrar proporcionalmente  previsibilidade.                        o sistema, mas o mercado
        mais de quem ganha mais. Isso          Na tributação das pessoas  teme perda de atratividade
        exige repensar o Imposto de  físicas, o debate gira em torno da  em produtos de longo prazo
        Renda, revisar a tributação de  defasagem da tabela do Imposto  e impacto sobre a poupança
        investimentos e reavaliar o peso  de      Renda,    que    ultrapassa   interna.
        dos impostos sobre as empresas.     140% desde 1996. Mesmo com            Por fora dessas medidas
        Em outras palavras, é buscar  correções recentes, o peso sobre  diretas,  a  reforma  da  renda
        um equilíbrio entre eficiência e  a classe média continua alto. A  também deve incluir a revisão
        justiça fiscal.                     ampliação da faixa de isenção foi  de benefícios fiscais e incentivos
           Um dos pontos mais sensíveis  um avanço, mas ainda insuficiente  setoriais. Hoje, o país renuncia
        é a tributação de lucros e  para garantir progressividade  a centenas de bilhões de reais
        dividendos, hoje isentos para  real. Sem uma revisão estrutural,  em impostos todos os anos. A
        pessoas físicas desde 1996. Os  o sistema seguirá concentrando o  ideia é reavaliar quem realmente
        defensores da mudança dizem  esforço fiscal sobre quem ganha  precisa desses estímulos e quais
        que essa isenção cria uma  menos.                                       políticas cumprem de fato um
        desigualdade  estrutural:  quem        Outro tema que promete gerar  papel de desenvolvimento. É
        vive de salário paga imposto,  repercussão é a tributação de  uma discussão complexa, porque
        quem vive de rendimentos de  fundos e aplicações financeiras. O  envolve           interesses   regionais
        capital não. Já os críticos lembram  governo pretende unificar regras,   e setoriais que se mantêm há
        que taxar dividendos sem reduzir  reduzir exceções e encurtar  décadas.




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