Page 6 - O Elo - Setembro de 2025
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Entrevista
ponto, horas extras pagas por fora, registros ocultos. Eram de continuidade. Tenho convidado antigos colegas,
momentos pitorescos, mas que faziam parte da rotina. muitos que já não vejo há muito tempo, para visitar a
nova estrutura. Alguns já não podem ir por causa da
E a vida sindical? Quando começa essa história? idade; outros moram longe; outros estão doentes. Mas
estou sempre incentivando. É importante manter essa
Muito naturalmente. Em 1978 eu fazia a convivência.
contabilidade da Associação dos Auditores. Conheci o
presidente da época, o Rubens Ferreira. Ele me chamava Vamos falar um pouco da sua vida pessoal. O
para reuniões, conversas, almoços. Com esse convívio, senhor é lho de imigrantes, certo?
entrei na primeira eleição como tesoureiro, mas preferi
a chapa do Dr. Jesus José Bales, que representava os Sou. Meus pais eram judeus alemães e vieram ao
novos Auditores Fiscais do Trabalho, composta por Brasil em 1939 com meus avós e meu tio. Chegaram
quatro colegas, o próprio Dr. Jesus, a Dra. Luci Helena sem nada. Foram acolhidos pela Congregação Israelita,
Lipel, Dr. Juarez Cyrino e eu. Foi o começo da minha que lhes deu comida e hospedagem nos primeiros
vida sindical. meses. Depois, como muitos imigrantes, começaram
Havia divisões internas fortes. Existia o grupo dos vendendo recebidas em consignação no bairro do Bom
mais antigos, que vinha dos anos 1950, e nós, mais Retiro para vendê-las no bairro da Saúde. Trabalharam
jovens, dos anos 1970. Em determinado momento muito e construíram uma vida digna. Eu sou fruto
precisei escolher. Fui com o grupo liderado pelo Dr. desses valores: ética, gratidão, honestidade.
Jesus José Bales, porque acreditava na renovação. Isso
me custou algumas amizades, inclusive a do Rubens, E sua família hoje?
mas era o caminho necessário.
Sou casado pela segunda vez. Tenho dois filhos, um
Quais momentos dessa trajetória sindical mais de 49 anos e outro de 21, que está cursando Direito e
marcaram o senhor? estagiando na área penal. Tenho muito orgulho deles.
Muitos. Participei de campanhas, reformas Como começou sua paixão pelo Palmeiras?
estatutárias, disputas acirradas. O Sinpait sempre foi
uma escola de democracia. Havia divergências, mas Começou com meu tio, que já era apaixonado pelo
também respeito. Lutamos por prerrogativas, carreira, Palmeiras desde o tempo de Palestra Itália. Ele me
estrutura. levava aos jogos quando eu era muito pequeno. Em
Hoje, no segundo mandato como Presidente da 1951, com cinco anos, eu já estava no Pacaembu. Vi o
entidade, sempre tive um cuidado enorme com a parte Palmeiras enfrentar o Santos em 1959, quando o Pelé
financeira. Para mim, patrimônio é futuro. Durante estava começando. Vivi a fila de dezesseis anos sem
a pandemia, ajudamos na alteração do estatuto e títulos, vivi a Academia, vivi as grandes conquistas. Fiz
em 2020, no primeiro mandato, procuramos dotar à muitos amigos no clube, participei da vida política, fui
entidade receitas extraordinárias e as aplicações em diretor, conselheiro, depois conselheiro vitalício, tendo
investimentos seguros, pré-fixados, com garantia do participado do COF por 10 anos como relator. É uma
governo. Isso fez o patrimônio triplicar e nos permitiu parte grande da minha história.
comprar a nova sede à vista, equipada, estruturada. É
um dos legados de que mais me orgulho. E como o senhor resume sua trajetória?
O que representa para o senhor ver o SINPAIT tão Como uma vida de trabalho, amizade e propósito.
sólido hoje? Conduzi tudo com ética. Fiz o meu melhor como
auditor, como dirigente, como colega e como cidadão.
Representa a consolidação de uma história. A O que eu pude fazer pela categoria, eu fiz. Tenho
nova sede é mais que um imóvel. É uma afirmação tranquilidade ao olhar para trás. Valeu a pena.
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