Page 3 - O Elo - Setembro de 2025
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Entrevista





         Mário Kaminski relembra a trajetória de uma

        vida dedicada ao trabalho, à ética e à categoria






           Uma trajetória que passa pela contabilidade          tríplices, a rotina pesada no Bom Retiro, a
        manual do Bom Retiro, pela  formação em                 decisão de estudar Direito viajando centenas
        Direito conquistada com esforço, pela vida              de quilômetros por semana, o concurso público
        sindical intensa, pelas fiscalizações marcantes         que o levou inesperadamente para Santos,
        no interior e pela construção da nova sede que          a militância sindical, as fiscalizações em
        consolida o futuro do Sinpait.                          usinas e empresas de todo tipo, os bastidores
           Poucos Auditores-Fiscais do Trabalho podem           da vida política do Palmeiras e, sobretudo, a
        contar uma trajetória tão longa, intensa e repleta      construção de uma entidade sindical sólida,
        de camadas quanto a de Mário Kaminski. A                financeiramente responsável e preparada para
        história dele atravessa mundos diferentes: a            o futuro.
        vida escolar em São Paulo, a formação técnica              A seguir, Kaminski revê com calma e
        em contabilidade ainda na época das fichas              profundidade cada fase dessa caminhada.





                                                                                                     Foto: Arquivo Pessoal
           Dr. Mário, vamos começar do início. Conte como
        tudo começou, desde sua formação escolar até o
        concurso.

           A minha história começa muito antes do concurso.

        Começa na escola. Estudei no Liceu Pasteur, onde fiz
        todo o primário e o ginásio. Era uma formação muito
        sólida, muito séria, que me deu disciplina. Depois
        segui  para  o  Colégio  Álvares  Penteado,  no  Largo
        São Francisco, para cursar técnico em contabilidade.
        Naquele tempo, ser técnico em contabilidade não
        era apenas uma formação profissionalizante; era uma

        entrada direta no mercado. O curso dava direito ao
        registro no CRC e me habilitava a assinar balanço.
           E era tudo na mão. A contabilidade que aprendi

        era baseada em fichas tríplices com papel carbono,
        lançamentos  escritos  linha  por  linha,  cálculos  feitos
        no lápis ou na máquina de somar. A gente montava
        balanços copiando tudo depois no livro diário. Não
        existia  computador,  não  existia  sistema,  não  existia
        calculadora  eletrônica  como  hoje.  Isso  forma  um
        profissional de verdade. Quem aprende assim aprende

        o coração da contabilidade.                             A contabilidade que aprendi era baseada em fi chas tríplices com
           Essa formação me levou ao Bom Retiro, onde           papel carbono,lançamentos escritos linha por linha, cálculos
        comecei a trabalhar ainda jovem. Passei por vários      feitos no lápis ou na máquina de somar




                                                                               O ELO out-nov|2025 • www.sinpait.org.br   03
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