Page 3 - O Elo - Março, Abril e Maio de 2026
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                        PAT 50 anos entre a política pública

                                      e a disputa de mercado





             Criado para combater a desnutrição e melhorar as condições de trabalho, o Programa de
                    Alimentação do Trabalhador chega às cinco décadas como uma das maiores
                       políticas públicas do país, mas enfrenta distorções, pressões econômicas
                                            e novos desafios para a fiscalização.






                                                                                                         Foto: Arquivo Pessoal
               O Brasil convive diariamente com uma das maiores
             políticas públicas do mundo sem, necessariamente,
             perceber sua dimensão. Criado em 1976, o Programa
             de Alimentação do  Trabalhador (PAT) chega aos 50
             anos atendendo cerca de 23 milhões de trabalhadores
             e  ocupando  a  posição  de  segunda  maior  política
             pública do país em escala. Ainda assim, permanece
             pouco compreendido, inclusive dentro de parte da
             própria estrutura estatal.
               A explicação passa por sua natureza silenciosa.
             Diferentemente de programas mais visíveis, o PAT
             se  materializa  no  cotidiano.  Está  no  almoço  do
             trabalhador, no vale-refeição, no crédito mensal que
             garante acesso à alimentação. Mas por trás dessa
             aparente simplicidade existe um arranjo complexo
             que envolve renúncia fiscal, regulação estatal, mercado


             privado e fiscalização trabalhista.
               “Ele surge em um contexto de desnutrição, de

             alta incidência de acidentes e de dificuldade de
             qualificação da força de trabalho”, explica Viviane de


             Jesus Forte, auditora-fiscal do trabalho e assessora da
             Coordenação-Geral do Programa de Alimentação do
             Trabalhador, no Ministério do  Trabalho. A lógica era
             direta: alimentação adequada como condição básica
             para saúde, produtividade e segurança.
               Ao longo das décadas, o programa se consolidou
             apoiado em um mecanismo central. O Estado
             abre mão de parte  da arrecadação para incentivar
             empresas a fornecer alimentação aos trabalhadores.
             Em troca, impõe regras que buscam garantir equidade

             e finalidade social, como a obrigatoriedade de
             contemplar trabalhadores de menor renda e a proibição
             de diferenciação de valores dentro da mesma empresa.
                                                                    Viviane Forte, AFT, que atua como assessora na Coordenação-Geral
                                                                    do PAT


                                                                              O ELO MAR/ABR/MAI|2026 • www.sinpait.org.br   03
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