Page 3 - O Elo - Junho de 2025
P. 3
Entrevista
Um Superintendente presente
Entrevista com Marcus Alves de Mello, superintendente
regional do Trabalho em São Paulo
Desde que assumiu a Superintendência falta de estrutura da fiscalização.
Regional do Trabalho em São Paulo, Marcus de Nesta entrevista, Marcus fala sobre os
Mello tem se dedicado a reconstruir pontes entre desafios da sua gestão, a reestruturação da
o Estado e a sociedade. Engenheiro mecânico fiscalização em São Paulo, os acordos de
de formação e auditor-fiscal do trabalho desde cooperação firmados com o Judiciário e o
2005, ele traz uma trajetória marcada pela Ministério Público do Trabalho, a importância do
mediação, pelo diálogo e pela busca de soluções atendimento ao trabalhador e as transformações
práticas para problemas complexos como a que a Auditoria-Fiscal precisa enfrentar para
precarização das condições de trabalho e a se manter relevante no século XXI.
Foto: Arquivo Pessoal
Você entrou no Ministério do Trabalho em 2003, vindo
de uma carreira no setor privado. Como foi esse início?
Minha trajetória começou na engenharia. Trabalhei com
projetos em autopeças e depois toquei uma locadora de
carros executivos. Mas o concurso público sempre esteve
no meu horizonte. Entrei como auditor-fiscal em 2003, fui
lotado em Manaus e depois atuei em várias frentes em São
Paulo, principalmente na Zona Leste e no ABC. Sempre fui
inquieto: atuava tanto na fiscalização técnica quanto nas
mediações, mesmo sem formação jurídica. Com o tempo,
isso virou uma marca do meu trabalho.
Sua nomeação para superintendente aconteceu em
meio à reestruturação do Ministério do Trabalho. Como
você recebeu esse desa o?
Não pedi o cargo. Na verdade, fui ao ministro
denunciar o que estava acontecendo em São Bernardo:
uma explosão de acidentes fatais, uma equipe reduzida
e uma estrutura sucateada. Queria mudanças. Expus
tudo o que achava errado e, dias depois, fui convidado a
assumir a superintendência. Assumi com zero assessores,
sem estrutura. No primeiro dia, já caí numa reunião com
o consulado americano, em inglês, sem tradutor. Foi no
susto, mas deu certo. E sigo com esse espírito: abrindo
portas, estabelecendo diálogos e reconstruindo a presença
do Ministério.
São Paulo concentra cerca de um terço das demandas
trabalhistas do país. Como está estruturada hoje a
superintendência?
Temos mais de 20 gerências e 40 agências espalhadas
pelo estado. Mas historicamente São Paulo sempre teve “Fui ao ministro denunciar uma explosão de acidentes fatais...
menos auditores do que deveria. Estamos agora com Expus tudo o que achava errado e, dias depois, fui convidado
cerca de 580 servidores — número que vai aumentar a assumir a superintendência”, relembra Marcus.
O ELO junho|2025 • www.sinpait.org.br 03

