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Entrevista


                          Um Superintendente presente




                          Entrevista com Marcus Alves de Mello, superintendente
                                       regional do Trabalho em São Paulo




           Desde que assumiu a Superintendência                 falta de estrutura da fiscalização.
        Regional do Trabalho em São Paulo, Marcus de               Nesta entrevista, Marcus fala sobre os
        Mello tem se dedicado a reconstruir pontes entre        desafios da sua gestão, a reestruturação da
        o Estado e a sociedade. Engenheiro mecânico             fiscalização em São  Paulo,  os  acordos  de
        de formação e auditor-fiscal do trabalho desde          cooperação firmados com o Judiciário e o
        2005, ele traz uma trajetória marcada pela              Ministério Público do Trabalho, a importância do
        mediação, pelo diálogo e pela busca de soluções         atendimento ao trabalhador e as transformações
        práticas para problemas complexos como a                que a Auditoria-Fiscal precisa enfrentar para
        precarização das condições de trabalho e a              se manter relevante no século XXI.



                                                                Foto: Arquivo Pessoal
           Você entrou no Ministério do Trabalho em 2003, vindo
        de uma carreira no setor privado. Como foi esse início?
           Minha trajetória começou na engenharia. Trabalhei com
        projetos em autopeças e depois toquei uma locadora de
        carros executivos. Mas o concurso público sempre esteve
        no meu horizonte. Entrei como auditor-fiscal em 2003, fui

        lotado em Manaus e depois atuei em várias frentes em São
        Paulo, principalmente na Zona Leste e no ABC. Sempre fui

        inquieto: atuava tanto na fiscalização técnica quanto nas
        mediações, mesmo sem formação jurídica. Com o tempo,
        isso virou uma marca do meu trabalho.

           Sua nomeação para superintendente aconteceu em
        meio à reestruturação do Ministério do Trabalho. Como
        você recebeu esse desa o?

           Não pedi o cargo. Na verdade, fui ao ministro
        denunciar o que estava acontecendo em São Bernardo:
        uma explosão de acidentes fatais, uma equipe reduzida
        e uma estrutura sucateada. Queria mudanças. Expus
        tudo o que achava errado e, dias depois, fui convidado a
        assumir a superintendência. Assumi com zero assessores,
        sem estrutura. No primeiro dia, já caí numa reunião com
        o consulado americano, em inglês, sem tradutor. Foi no
        susto, mas deu certo. E sigo com esse espírito: abrindo
        portas, estabelecendo diálogos e reconstruindo a presença
        do Ministério.

           São Paulo concentra cerca de um terço das demandas
        trabalhistas do país. Como está estruturada hoje a
        superintendência?
           Temos mais de 20 gerências e 40 agências espalhadas
        pelo estado. Mas historicamente São Paulo sempre teve   “Fui ao ministro denunciar uma explosão de acidentes fatais...
        menos  auditores  do  que  deveria.  Estamos  agora  com   Expus tudo o que achava errado e, dias depois, fui convidado
        cerca de 580 servidores — número que vai aumentar       a assumir a superintendência”, relembra Marcus.

                                                                                 O ELO junho|2025 • www.sinpait.org.br   03
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