Page 9 - O Elo - Julho de 2025
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Entrevista
Fotos: Arquivo Pessoal
E quanto à liderança? Qual é o papel dos gestores?
Fundamental. Gerentes precisam entender que
prevenir acidentes não é custo — é investimento.
Precisamos gestores engajados que deem o exemplo
e priorizem segurança em todas as etapas, desde
planejamento até entrega.
Você comentou que a tecnologia pode ajudar.
Quais inovações estão ou podem ser incorporadas?
Há soluções como sensores em capacetes que
detectam quedas, plataformas com checklists digitais
e drones para inspeção de obras em altura. A realidade
virtual também é útil para treinar equipes em cenários
de risco, sem exposição real.
Em relação à legislação (NRs), por que muitas
empresas ainda não cumprem integralmente as
normas?
Falta conhecimento, baixa fiscalização e, às vezes,
sensação de impunidade. O custo para adequação pode
ser relevante, mas é ainda menor que os prejuízos com
acidentes e multas. Precisa haver entendimento de que
investir em normas traz retorno em produtividade e
reputação.
Para empresas de médio e pequeno porte, com
orçamento limitado, quais recomendações práticas o
senhor sugere?
Foquem no essencial: garantam EPIs básicos e em bom
estado, promovam treinamentos simples, mas frequentes
— mesmo que internos — e incluam a segurança nas
reuniões diárias (“quick briefings”). Incentivar o relatório
de riscos pelos próprios trabalhadores é outra estratégia
eficiente e barata.
E, por m, que mensagem o senhor deixaria para
dirigentes e operários?
Para dirigentes: olhem a segurança como valor
estratégico, não como gasto. Para operários: confiem
nos equipamentos e nas orientações. Toda regra existe
por um motivo — e seguir normas salva vidas.
Agradecemos sua participação, Gianfranco. Que
sua experiência continue contribuindo para um
ambiente de trabalho mais seguro e humano.
Eu que agradeço o convite. Fico feliz em poder
compartilhar um pouco do que aprendi ao longo dos
anos. Segurança no trabalho não é só norma — é
respeito à vida.
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