Page 4 - O Elo - Julho de 2025
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consolidada na área da saúde pública e da fiscalização
das condições de trabalho, ela voltou a ocupar o
centro da discussão com a clareza técnica e a firmeza
política que vêm marcando sua atuação. Também
presente, o Diretor do SINPAIT (Sindicato Paulista
dos Auditores Fiscais do Trabalho), Ettore Pinotti,
acompanhou o debate representando a entidade e
reforçando o compromisso da Auditoria-Fiscal com
a proteção da saúde do trabalhador e da população
brasileira.
A audiência foi realizada em duas etapas
sequenciais. A primeira abordou os riscos clínicos e
ambientais do uso do mercúrio na odontologia, e a
segunda foi dedicada a trabalhadores intoxicados e
à exposição ocupacional. Cecília Zavariz participou “Não há nível seguro de exposição ao mercúrio”
ativamente das duas etapas, contribuindo com uma
perspectiva da interseção entre saúde, trabalho
e meio ambiente. Seus argumentos combinaram explicou a auditora, muitos profissionais estão sujeitos
conhecimento técnico, vivência em campo e um à contaminação. “Trabalhar em consultórios onde o
posicionamento ético firme. amálgama ainda é manipulado é um risco constante,
“Não há nível seguro de exposição ao mercúrio. tanto para os profissionais de saúde da odontologia,
O que está em jogo aqui é o direito à saúde de pessoal de apoio e limpeza dos consultórios e dos
milhões de brasileiros e brasileiras que passam por objetos usados, como no descarte de resíduos.” Ela
procedimentos odontológicos no serviço público”, relatou que, em muitos casos, trabalhadores sequer
afirmou. Ao lembrar que o Brasil é signatário da são informados dos perigos a que estão submetidos.
Convenção de Minamata desde 2017, Cecília ressaltou “Estamos falando de clínicas públicas, consultórios
que a manutenção do amálgama dentário no Sistema particulares, unidades escolares, espaços que
Único de Saúde representa um retrocesso em relação atendem, diariamente, milhares de pessoas. É
aos compromissos internacionais assumidos pelo país. inaceitável que, em pleno 2025, ainda se naturalize a
Mas a exposição não se limita aos pacientes. Como exposição ao mercúrio.”
A fala de Cecília ganhou força ao longo da
audiência, especialmente ao lado de depoimentos
Fotos: divulgação de trabalhadores intoxicados e de representantes
de organizações ambientais e científicas. O tom
foi direto: o uso do amálgama representa um risco
sanitário, uma agressão ao meio ambiente e uma
violação de direitos.
Dados sobre a liberação de vapores tóxicos, a
bioacumulação nos organismos e os impactos em
grupos vulneráveis (como crianças, gestantes e
idosos) ajudaram a compor um panorama grave e,
segundo os especialistas, evitável. O projeto de lei
que trata do tema, o PL 3098/2021, propõe a restrição
do uso do amálgama em populações sensíveis e,
gradualmente, sua substituição total. A proposta de
legislação sobre o tema já foi protocolada e o texto já
passou por comissões na Câmara, mas ainda depende
Dep. Federal Nilto Tatto durante abertura da Audiência Pública
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