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Direito das Mulheres




             Maternidade não é um favor, é um direito





           Ainda em 2025, muitas mulheres      O  que  muitas  vezes  se ignora é
        precisam esconder a gravidez por  que  a  maternidade  não  interrompe
        medo de perder o emprego. Outras  a  capacidade  de uma  mulher.  Pelo                                Foto: Arquivo Pessoal

        são  demitidas  logo  após  o  fim  da  contrário, em muitos casos, ela
        licença-maternidade, como se a  amplia.  Traz mais responsabilidade,
        chegada de um filho fosse sinônimo de  mais foco, mais senso de urgência. E,


        fim de carreira. E tantas outras sequer  ainda assim, é comum que mulheres
        conseguem  ser contratadas  porque,  percam  espaço   justamente   no
        na cabeça de alguns empregadores,  momento em que mais amadurecem
        mulher em idade fértil é risco.     profi ssionalmente.  Isso  não   é
           Isso não é exceção. É prática  coincidência. É consequência de uma
        comum. E precisa parar.             estrutura que ainda não aprendeu a
           A maternidade, no Brasil, é  respeitar as escolhas das mulheres  e,
        tratada  como  um  incômodo  pelas  pior, segue punindo quem opta por           Dra. Lucy Toledo Niess
        estruturas  de poder. As  leis existem,  ser mãe.                             Diretora Jurídica do SINPAIT
        garantem estabilidade no emprego,      Mulheres que voltam da licença e
        licença  remunerada,  proteção contra  são “realocadas”, perdem funções, têm
        ambientes insalubres, mas nem  a carreira congelada. Outras que, ao
        sempre são respeitadas. Quando são,  engravidar, passam a ser pressionadas,  essa realidade sem preconceito.
        muitas vezes vêm acompanhadas  cobradas em dobro, ou deixadas de  Precisamos de um ambiente em que
        de olhares tortos, piadas veladas  lado nas decisões. E, claro, aquelas  ser mãe não seja visto como fraqueza,
        e punições silenciosas. Como se a  que são demitidas, mesmo com  mas como parte da vida profi ssional
        mulher tivesse que  “agradecer” por  estabilidade legal. Algumas recorrem  de muitas mulheres.
        estar grávida e ainda ter o direito de  à Justiça, conseguem reintegração   O avanço virá também da
        continuar trabalhando.              ou    indenização.  Mas    muitas   mudança de cultura. Ainda há quem
           É   preciso  repetir  o  óbvio:  simplesmente se calam, exaustas, sem  diga que é  “difícil” trabalhar com
        maternidade não é privilégio. É direito.  energia para mais uma luta.   mulheres com filhos pequenos. Mas

           Nenhuma mulher deveria ter que      É exatamente nesse ponto que o  difícil mesmo é ser mãe em um país
        escolher entre ser mãe ou seguir  papel da fi scalização e dos sindicatos  que cobra tudo delas e não oferece
        trabalhando com dignidade.          precisa ser mais ativo. A legislação está  estrutura alguma. Quem precisa
           Nenhuma     profi ssional  deveria  aí. O que falta, muitas vezes, é fazer  mudar a postura é o mercado, não as
        se sentir culpada por engravidar. E  com que ela se cumpra. Quando uma  mulheres.

        nenhuma empresa deveria tratar a  mulher é demitida grávida, ou volta     E que fique claro: garantir os direitos
        maternidade como um problema,  da  licença  e  encontra um  ambiente  da gestante e da mãe trabalhadora
        muito menos como motivo para afastar,  hostil, o Estado precisa agir. O sindicato  não é caridade, não é bônus, não é
        desvalorizar ou descartar alguém.   precisa agir. E a empresa precisa ser  gentileza. É obrigação legal e, mais
           A  realidade  mostra  que  isso  está  responsabilizada. Não se trata apenas  que isso, é um dever social.
        longe de acontecer. Basta olhar  de proteger um direito individual, mas   Isso   exige  política  pública,
        os  números:  as  mulheres  ainda  de defender um valor coletivo: o de   fi scalização  fi rme  e  sindicatos
        ganham menos, são minoria nos  que a maternidade faz parte da vida e    atuantes.  Mas   também     exige
        cargos de liderança e enfrentam  do mundo do trabalho também.           coragem das mulheres para seguir
        mais  dificuldades  para  se  recolocar   Para que essa proteção seja real,  reivindicando espaço, respeito e

        no mercado após a licença. Não por  é preciso mais do que garantias no  igualdade. Porque se há algo que
        falta de competência, mas porque o  papel. Precisamos de empresas que  não pode ser tolerado é o silêncio
        mundo do trabalho ainda funciona  acolham  o retorno  das mães,  que  diante de injustiças que se repetem
        com lógica masculina, onde cuidar  criem políticas claras de apoio, que  há décadas.
        de um filho é visto como ausência,  ofereçam condições para conciliar      Maternidade não é um favor. É

        e   não   como     responsabilidade  trabalho e cuidado. Precisamos de  um direito. E todo direito precisa ser
        compartilhada.                      chefias treinadas para lidar com  respeitado.


                                                                                 O ELO julho|2025 • www.sinpait.org.br   07
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