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Entrevista
Secretária, na época, já tinha demonstrado intenção de e efetiva a competência da fiscalização para o âmbito
sair e a nova equipe, que estava assumindo o Ministério do Trabalho. A partir daí fortalecemos a Inspeção do
do Trabalho sob o comando do Ministro Francisco Trabalho.
Dornelles, buscava a substituição na Secretaria da Houve um impacto significativo de, por volta de
Inspeção do Trabalho. Fiquei sabendo posteriormente R$600 milhões mensais, para mais de R$1,5 bilhão
que a própria Secretária Ruth havia indicado meu mensais em 2001. Hoje metas e avaliações, inclusive
nome, com a chancela do Secretário Executivo, na para recebimento de bônus, estão em grande parte
época, Antônio Anastasia. relacionadas ao FGTS. Digamos que seja nosso mais
consistente pilar.
Como foi assumir a Secretaria da Inspeção do
Trabalho em 1999? Que avanços ocorreram em capacitação e
Em 1999 assumi a Secretaria, Secretaria de atualização normativa nesse período?
Fiscalização do Trabalho, que na sequência passou Concomitante, iniciamos cursos pelo Brasil para
a ser Secretaria da Inspeção do Trabalho, com dois capacitarmos mais nossos fiscais, ampliando temas
grandes Departamentos Nacionais: o de Fiscalização e como novo perfil da fiscalização, com ênfase em
o de Segurança e Saúde. levarmos conhecimento, atualizações e inclusive ações
Levei para compor a equipe dois colegas de São de entendimento, comparáveis aos termos de ajuste
Paulo, Luci Helena Lipel e Juarez Correia Barros, que
se predispuseram a ficar em Brasília. Volto a me referir
ao contexto de equipe. Ninguém desenvolve uma boa Foto: Arquivo Pessoal
gestão se não tiver uma equipe coesa, preparada e
disposta a enfrentar e superar desafios. Mais uma vez
tive o privilégio de contar com colegas de altíssimo
nível, que só fizeram abrilhantar o período em que
ficamos à frente da Secretaria.
Um dos marcos da sua gestão foi o
reposicionamento do FGTS. Como isso ocorreu?
Na sequência começamos a nos debruçar para
avançarmos em questões estratégicas, como o FGTS.
O fundo de garantia do tempo de serviço estava,
digamos, em um limbo. A Caixa Econômica Federal
administrava, a Previdência havia colaborado para um
início de confecção de guia, sem muito interesse, e nós,
do Trabalho, não estávamos envolvidos diretamente,
ou seja, o FGTS escorregava pelas nossas mãos.
Imediatamente começamos a compor uma
equipe para desenvolver e efetivamente colaborar
no desenvolvimento das guias juntamente com CEF,
participar ativamente das alterações dos decretos e,
mais do que isso, a construção de um programa para
que pudéssemos implantar a fiscalização do FGTS,
trazendo o protagonismo desta para a Inspeção do
Trabalho. Na época ainda não compúnhamos a carreira
de Auditoria Fiscal do Trabalho.
Mais uma vez tivemos colegas atuando diretamente
no Serpro, como Tania e Celso, para conseguirmos
estabelecer programas com implantação a nível
nacional.
Não tenho receio em afirmar que conseguimos “Tenho muita gratidão por todas as experiências que me foram
delinear um divisor de águas trazendo de forma clara disponibilizadas ao longo da carreira”
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