Page 3 - O Elo - Setembro de 2025
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Entrevista




                    “O servidor público é um agente de

                  desenvolvimento e precisa voltar a ser

                            reconhecido pela sociedade”






           Auditor Fiscal da Receita Estadual  de São           Reforma Tributária.  À frente de entidades
        Paulo, presidente da Afresp e da Febrafite, Rodrigo     que reúnem milhares  de auditores, coordena o
        Spada  é hoje uma das principais vozes do país          Fundafresp,  fundo social que destina  milhões
        na defesa da justiça fiscal, da eficiência pública      de reais a entidades assistenciais, e a Amafresp,
        e do fortalecimento das  carreiras  de Estado.          plano de saúde de autogestão que atende 20 mil
        Engenheiro de Produção (UFSCar), bacharel em            servidores e familiares. Nesta entrevista exclusiva
        Direito (Unesp) e MBA em Gestão Empresarial             ao Elo, Rodrigo fala sobre sua trajetória, o papel
        (FIA), ele tem 20 anos de experiência em gestão         do Estado, os desafios do serviço público e o lado
        e foi um dos protagonistas  na construção da            pessoal  de quem acredita  que é possível  servir
        Emenda  Constitucional 132, que instituiu  a            com eficiência a sociedade.




                                                                                                     Foto: Arquivo Pessoal
           Você tem uma formação múltipla e uma carreira
        marcada pelo serviço público. Quais momentos
        considera mais marcantes nessa trajetória?
           Sem dúvida, o primeiro foi a aprovação no concurso
        público. Eu era engenheiro de produção, trabalhava
        em uma multinacional americana e decidi seguir outro
        caminho. Foi um divisor de águas. Na iniciativa privada
        o objetivo é o lucro, o que é legítimo, mas no serviço
        público o propósito é o coletivo. A satisfação é diferente,
        é mais nobre.
           Depois veio o convite para integrar a diretoria da
        Afresp. Foi ali que entendi o verdadeiro poder do

        associativismo. A entidade tem seis mil filiados e uma
        vida política intensa. Movimenta R$400 milhões por ano
        mais  do  que  o  orçamento  da  maioria  dos  municípios
        brasileiros. É um ambiente exigente, mas transformador.
        A partir dali, mergulhei de vez na vida classista e nunca
        mais parei. São quinze anos de atuação ininterrupta, em
        que aprendi que representar é ouvir, negociar, conciliar
        e entregar resultados concretos.


           Como é atuar à frente de estruturas como o
        Fundafresp e a Amafresp, que têm impacto direto na
        vida dos servidores e de tantas famílias?
           O Fundafresp é uma das experiências mais bonitas
        que já vivi. É um braço social da Afresp, sustentado    “A atuação nas entidades de classe me deu uma visão ampla de
        exclusivamente por doações voluntárias dos associados.   liderança e de país...”


                                                                              O ELO setembro|2025 • www.sinpait.org.br   03
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